O vôo do golfinho

Duas pernadas duplas, uma braçada dupla. Respira. Repete. Manter a ondulação, quadril alto. Pernada forte. Força nos braços. Respirar alternadamente. Uma sim, outra não.

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Quando eu era criança sonhava com vôos todas as noites. Eu voava com uma facilidade incrível. Bastava me lançar do alto de algum prédio ou qualquer muro mais alto. Outras vezes eu tinha pesadelos em que precisava fugir de alguma coisa e eu corria o máximo que podia para ganhar forças e ao me jogar pra frente eu saía voando. Voar sempre foi um sonho, a perfeita forma de escapar de tudo.

Quando comecei a nadar com mais freqüência o meu maior medo era ter que nadar golfinho. Eu achava que nunca conseguiria, nunca teria força para tanto. Aos poucos fui melhorando. Aprendi que o movimento de ondulação era mais importante do que a força em si. Teve épocas em que eu nadava todos os dias da semana, com um bom condicionamento físico e com a técnica mais apurada tive momentos incríveis nadando golfinho. E comecei a estudar mais sobre natação, os movimentos, técnica etc. E lendo revistas especializadas eu notei que, em inglês, é mais comum referir-se a este estilo como borboleta do que golfinho. E muitas vezes eu lia nas revistas "fly" ao invés de "butterfly". E foi aí que eu me toquei. O meu prazer ao nadar golfinho (principalmente quando uso pés de pato) é o mais próximo que eu posso sentir do prazer de estar voando.

As diferenças de densidade da água e do ar fazem com que nossos corpos tenham outro peso, como se a força da gravidade atuasse de maneira diferente, então é mais fácil "voar" / "fly". No mar então é melhor ainda.

Hoje eu não tenho mais o mesmo condicionamento físico de alguns anos atrás, por ter parado algum tempo, mas estou recuperando aos poucos. Essa semana tive alguns "vislumbres" do vôo do golfinho. Foi o suficiente para reacender em mim a vontade de voar, na piscina ou nos sonhos. Me sentir livre e leve. Nesses momentos eu me concentro apenas no meu movimento, na ondulação, na respiração e no prazer de estar voando, longe de tudo, livre e bem mais leve.

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5 Comments

Poxa Moa
muito lindo esse teu post.....
vc escreve com uma leveza e simplicidade fabulosas.....
ps.: nao te preocupa com a idade..... isso eh o de menos!!!!

bjs e [jb]'s

Pois golfinho nunca foi o meu forte! não sei se era porque eu fazia natação por motivos de saúde, já não tinha muito fôlego mesmo pra nadar - então eu torcia o nariz qdo o professor mandava nadar golfinho. Mas tenho boas lembranças de qdo, anos mais tarde, voltei à natação e o nome da escola era Golfinho! :-)
beijoca, Moa

Ando sumido, mas nem tanto. De vez em quando passo por aqui pra te ler.
Hoje você me fez particularmente bem. Tenho que começar a nadar golfinho na vida, uma questão de ondulação, não de força. Un beso!

Você escreve muito bem, garotão. E a diferença de idade é apenas um detalhe bobo.
Abraços e se cuida.

Hum.. deu até vontade de voltar pra natação!

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