O mundo é pequeno pra caramba
Tem alemão, italiano, italiana
O mundo filé milanesa
Tem coreano, japonês, japonesa
O mundo é uma salada russa
Tem nego da Pérsia, tem nego da Prússia
O mundo é uma esfiha de carne
Tem nego do Zambia, tem nego do Zaire
O mundo é azul lá de cima
O mundo é vermelho na China
O mundo tá muito gripado
O açúcar é doce
O sal é salgado
O mundo caquinho de vidro
Tá cego do olho, tá surdo do ouvido
O mundo tá muito doente
O homem que mata
O homem que mente
Por que você me trata mal
Se eu te trato bem
Por que você me faz o mal
se eu só te faço o bem
Todos somos filhos de Deus
Só não falamos a mesma língua
O MUNDO André Azambuja
Fim de ano. Sensação de férias, de recomeço, de coisas terminadas, de futuro promissor. Medo, alegria, melancolia. Recordações, remorsos, tremossos. Terremoto no centro da Terra, maremoto em toda a Ásia. Mary Poppins no DVD, Ney Matogrosso e Pedro Luís e a Parede no CD. Um passe de mágica, um estalar de dedos e tudo vai para seu lugar. Casamento e prazer parecem não bater. A cama é grande e eu vou deitar na beiradinha, querendo ficar distante. Acordo por cima dele, querendo sentir minha perna sobre as dele. Seu hálito me incomoda em uns dias, seu sovaco me inebria em outros. Suas opiniões me irritam agora, sua constância me conforta depois. Tenho vontade de fazer coisas proibidas e tenho medo de perdê-lo. Um pouco de insensatez me é tão necessário. Excesso de zelo me é tão peculiar. Mary Poppins é quase perfeita in practically everyway, eu sou tão exigente e perfeccionista que só vejo os meus defeitos e insatisfações. Ninguém entende. Nem procuro explicar. Não consigo expressar...

Minha filhuska, Kikuska, dorme ao meu lado, no sofá da sala. Sopra uma brisa da noite janela adentro, mas o calor é enorme. Ternura de sobra, amor transbordante. É o que sinto por ela e vejo em seus olhos. Nele também. Meu coração é grande e cabem os dois e mais um monte de gente. Mas sou o homem fragmentado que sempre achei que não era. E não há mágica ou estalar de dedos que arranje isso. Amor e sexo, definitivamente, parecem caminhar paralelamente e meu prazer começa a perder importância. Ou volta a ser desviado para a arte. Música, cinema, fotografia, literatura, natureza, culinária, artesanato, pintura...
A voz do Ney me embala...
Não é de hoje que preciso conter-me
Chegou a hora, vamos ver
Finalmente, finalmente, finalmente...

Gostei mt da tua maneira de escrever. Entrei pelo yahoo por acaso, e fiquei admirado com o lirismo de seu cotidiano. Atualize com mais frequência, já estamos em fevereiro. Parabéns!
Papusko, dizem que 2005 é o ano da Sabedoria, mas em contrapartida, ele será regido pela Lua, que guia nossas emoções... OU seja, continuaremos neste conflito quase que 'uterino', mesmo para quem não o tem!
Desejo então que você consiga ter Sabedoria para separar o joio do trigo, a ansiedade da tranqüilidade e acima de qualquer coisa, o respeito do amor! Happy 2005!