The joy of enlightenment

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Não tem coisa melhor do que se surpreender com a nossa própria vida. De vez em quando eu me "pego" gostando de ser quem eu sou, satisfeito com minhas conquistas e performances. Sou exigente demais comigo mesmo e com tudo à minha volta, mas hoje em especial estou satisfeito. E como isso é raro é melhor aproveitar, não?

Cheers!

Nesse momento eu deveria estar passando umas camisas para usar durante a semana. Hoje é domingo e é aos domingos à noite que eu passo as camisas da semana. Mas ainda é cedo. A noite mal chegou. Passou um pouquinho da minha hora preferida, a hora dourada em que o dia não é mais dia e a noite ainda não é noite. Mas estou sentindo a mesma sensação de bem estar, de boas energias no ar. É um vento diferente que sopra. Meu corpo sente isso de uma maneira especial. Fico leve e com uma sensação de prazer que é quase incontrolável. Sorrio para mim mesmo, intimamente, pois só eu sei o que me faz sorrir. Para ajudar o clima acabei de ouvir "El Condor Pasa" com o Paul Simon, seguido de "Rocket Man" com o Elton John. O bom de ouvir rádio é a surpresa das músicas que seguem.

Essa semana descobri que estou participando de um rally de natação. Meu professor falou algo sobre isso e me disse que era para eu me esforçar e participar. Eu entendi que teria que ir para algum lugar especial, achei até que seria no mar, então quando ele me mandou nadar 1000m sem parar, no meu melhor tempo, segunda-feira passada, eu não achei que já estaria participando. Ele tomou meu tempo e ao final disse que estava muito bom. 16min56seg. Eu não tinha os parâmetros, então não achei coisa alguma. Continuei o resto da aula, fazendo o que ele me pedia e pronto.

Quando termino de nadar e venho caminhando para casa, sinto uma leveza inacreditável. Sinto meu corpo quase flutuar e meus passos são tranqüilos e seguros. Muitas vezes é o melhor momento do meu dia. Descer as escadas da entrada da academia e ganhar a calçada. Um instante apenas, um flash de segundo. Mas uma eternidade de prazer e bem estar.

Sexta-feira ao chegar para nadar o professor fala, "Hoje é a segunda etapa do rally. Ganhamos a primeira. Você hoje tem que fazer 1500m, sem parar, no seu melhor ritmo. A classificação da primeira etapa está na internet. Olha a sua depois." !!?! A "minha" classificação está na internet? Hummm. Eu sequer sabia que estava participando.

Fiz os 1500m em 25min59seg59centésimos. Ouvi a mesma coisa, "Muito bom." Depois descobri que tinha feito o terceiro melhor tempo de toda a academia tanto na primeira etapa quanto na segunda! Agora sinto o "peso da responsabilidade" de participar das outras (que eu sequer sei quantas são) e manter o pique.

Muitas vezes a gente já faz o que tem que fazer, sem sentir o peso da obrigação ou responsabilidade. Faz bem e atende às espectativas. Na boa. Mas em outras ocasiões, ter a responsabilidade expressa diante de nós é o que nos faz "tremer nas bases" e pensar, "Será que dou conta?"

Um amigo vai ser papai pela primeira vez. Ele tem 40 anos. Ser pai não estava nos seus planos. Ele ainda não quer ser pai. A esposa engravidou e eles realmente não esperavam que isso fosse acontecer. Aparentemente ela estava torcendo para que engravidasse, sonhando que isso salvaria o casamento deles. Ele confessou que, entre todos os grilos e problemas, o fato de ter um filho é algo que o "apavora" (se bem que ele não usou essa palavra) pois "não há volta" e ele será eternamente responsável por essa pessoa. Estará ligado à ela e à esposa (mesmo que separados) para o resto de suas vidas. Disse que mesmo tendo sido a vida toda um cara extremamente responsável e maduro, sempre pensou na liberdade que tinha para poder abandonar tudo e fugir. Ir morar na Índia, atravessar o deserto do Saara ou simplesmente mudar para Lumiar e vender mel à beira da estrada.

Não acredito que um dia ele fizesse algo do tipo. Mas a possibilidade, a idéia, o sonho, estavam lá, presentes em sua mente. Ouvindo seu desabafo vi que me encontrei na mesma situação a algum tempo atrás, quando percebi que minha família estava montada e minha vida já tinha tomado um rumo, tenha eu o escolhido conscientemente ou não. Não há como voltar atrás e simplesmente abandonar tudo. Eu não saberia fazer isso. Agora é só continuar, ir em frente, batalhando para manter a harmonia, o amor, o respeito e constantemente transformar o dia a dia em algo melhor.

Eu certamente sou capaz disso. E já o faço, mesmo que não o reconheça ou me lamente da falta da perfeição que eu acho que tinha que existir.

Outro amigo se separou há dois meses e meio atrás. Está morando sozinho, em um apartamento diferente, com alguns móveis da época do casamento, outros que ganhou de amigos. Tem dois gatos que soltam pêlos pela casa toda e ele não limpa. Aliás, ele está tão deprimido que não consegue limpar nada no apartamento. Não se sente bem lá dentro e não sai quase de casa. Não tem sequer um quadro na parede e as poucas peças de decoração que tem foram adquiridas na época do casamento. A mulher o largou e tem vivido a melhor das vidas de solteira, saindo todas as noites, freqüentando praias, bares, cinemas, etc. Ele fica remoendo a separação e, de hora em hora, diz que nenhuma outra mulher vai querer ficar com ele. Minha conclusão foi, "Você está precisando de uma boa dose de Queer Eye for the Straight Guy!" Agora tenho que arranjar um patrocínio e mais uns três gays para irmos fazer um makeover completo na vida dele.

Ao sair da casa dele pensei, "Por que diabos eu reclamo tanto???"

Oh, the joy of enlightenment! ;^)

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2 Comments

Tudo começou comigo procurando uma imagem de natação (adoro este esporte) e encontrei esta. Rapidamente passei os olhos no texto até reiniciá-lo. Gostei das palavras, simples mas que fazem com que valorizemos as pequenas coisas. É isso ai!!!

Entao...
pq todos nos reclamamos tanto das coisas???
Nunca estamos satisfeitos...
mas enfim...
sempre estamos atras de melhorar na vida...
por isso q a humanidade evoluiu.....
ai ai...
mas esse teu texto foi bem legal...
depois tu me conta como foi a sexao queer eye for straigh guy!!!

bjs

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