Enivrez-vous

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Nem sempre ler é um prazer. Lembro de textos horrivelmente chatos que tive que ler ao longo da minha vida de estudante e na minha carreira profissional. E lembro de decepções com livros que pensava que iria amar e não consegui passar das primeiras páginas. Mas quando o texto é bom, não há o que supere o prazer da leitura. Entrar na mente de alguém através de histórias bem contadas é o que há.

Amei ler Coiote do Roberto Freire. Devorei os poemas da Bruna Lombardi. Me perdi em três das Crônicas Vampirescas da Anne Rice. Vibrei com os mistérios de O Código Da Vinci. Best seller é bom porque, na maioria das vezes, é uma leitura fácil e sem pretensão. A gente se perde nas letras e viaja, sendo outros por horas a fio. A boa leitura é quase uma extensão do prazer cinematográfico, já que vemos o filme de uma única "sentada" e, em geral, levamos alguns dias para ler um livro inteiro.

Quando li The Catch Trap da Marion Zimmer Bradley não queria nunca terminar. A história de dois trapezistas de circo que viveram um romance homossexual na década de 40 me fascinou e me hipnotizou. Nunca gostei tanto de ler um livro. Volta e meia releio alguma passagem. E são esses livros, achados por acaso, que se transformam nas melhores surpresas. Esse eu comprei na Livraria Cultura em São Paulo, quando passeava pela estante de pocket books como quem não quer nada. Me senti atraído pela capa e a autora (famosa por As Brumas de Avalon) e comprei o livro na hora. Até hoje penso naquelas personagens e vejo Mario e Tommy (que Mario sempre tratou como "Lucky") como meus amigos íntimos. Chego a sentir saudades.

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Agora estou lendo um conto que "persegui" nos últimos dois dias até encontrá-lo na internet. É, a leitura não é mais necessariamente em papel. Pela primeira vez na minha vida leio um livro no computador. Primeiro foi minha amiga Fernanda dizendo que vou amar um novo filme, que ainda nem estreou, e me indicando o trailer e uma resenha num blog. Bom, lá fui eu procurar o trailer e ler a tal resenha. Pronto: paixão imediata! Baseado num conto premiado, o filme só estréia nos EUA dia 09 de dezembro e, embora já tenha passado no Fest Rio, terei que esperar algum tempo para vê-lo. Já li que está cotado para Oscar. Levando o tema em consideração, eu me pergunto: "Oscar? Será??"

Brokeback Mountain, de Annie Proulx conta a história de dois cowboys, que se conhecem na década de 60 e se apaixonam. Depois de uns meses trabalhando juntos eles se separam e quando se reencontram, quatro anos depois, estão casados e com filhos. Os dois são caras rudes, sem educação formal e, numa época bem anterior a Stonewall e Aids, vivem um amor proibido, cheios de medo e dúvidas, mas com uma entrega tão apaixonante e um tom de desespero que não tem como ficar imune ao drama deles.

Eu estou na metade do conto, mais ou menos, e já sei que é para entrar para a história como um dos melhores. Escrito com sensibilidade, franqueza e um frescor incríveis, Brokeback Mountain é um must. Principalmente por aplacar a sede que tenho por romances gays, onde consigo me enxergar na história sem precisar fazer tantas mudanças na minha mente. Acho que tem um final triste, mas isso não importa, por hora. Estou embevecido e, de tempos em tempos, vejo o trailer do filme novamente.

Jake Gyllenhaal, que adorna esse post, e Heath Ledger vivem Jack e Ennis no filme dirigido por Ang Lee. Alguém pode pensar em um diretor melhor que Ang Lee para dirigir uma história dessas? Estou tão feliz... de um jeito que só a Arte é capaz de me deixar. Adoro essa capacidade de me sensibilizar com obras de arte como fotografia, pintura, escultura, literatura, música e cinema. É assim que grandes almas se expressam e a gente pode se alimentar delas, aprender, amadurecer, sonhar, chorar, sorrir, vibrar, sofrer, se embevecer...

Enivrez-vous de vin,
de poésie ou de vertue,
à votre guise.

Beaudelaire

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2 Comments

Moa,
Volto a te ler depois de um longo período sem passar por aqui... e coincidência: fico sabendo que nós dois estamos ansiosíssimos pelo mesmo filme. Tentei ver Brokeback Mountain quando passou na mostra de cinema aqui em São Paulo, em outubro, mas não consegui ingresso. Desde então nunca me conformei.
Ei, eu também quero ler o conto! Como faço para encontrá-lo na internet??
Bs!

ultimamente tenho me atido à arte de ouvir música. mas como tenho livros bons aguardando q eu os leia! caracas!

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